ONGs e empresas se manifestam contra assassinatos e desmonte socioambiental promovido pelo atual governo

Fim de semana foi marcado por homenagens, mas principalmente cobranças, de ONGs e políticos internacionais

Os assassinatos brutais de Bruno Pereira e Dom Phillips no interior da Amazônia tiveram forte repercussão internacional. Como reporta a seção Painel da Folha, diplomatas brasileiros avaliam que as cobranças serão intensas, inclusive no âmbito da OCDE, o clube dos países ricos no qual o Brasil pretende ingressar.

A triste tragédia no Vale do Javari tem significados complexos. É impossível não relacionar a perda das duas importantes vidas ao tratamento que o governo Bolsonaro dá à Amazônia e à imprensa. A relação entre o discurso recorrente de Brasília e o aumento da violência, do garimpo, da grilagem e do desmatamento na maior floresta tropical do Brasil é direta.

Um editorial d’O Globo reforça a posição defendida por vários especialistas na Amazônia. Uma vez que o presidente Bolsonaro tem uma fixação pela soberania na região, essa preocupação deveria resultar em um combate aos inimigos internos da floresta e não nutrir devaneios contra invasões externas à região. Como diz o texto de um dos maiores jornais do país, “bandos de narcotraficantes, pescadores, grileiros, madeireiros e garimpeiros ilegais se apossaram da região, onde, sob a mira de armas, passaram a impor leis perversas aos Povos da Floresta e a todos aqueles que, como Bruno e Dom, tentam defendê-los.”

Os reais problemas encontrados no Vale do Javari, e tão bem investigados pelos indígenas da região e pelo próprio Bruno, indigenista que levava muito a sério sua missão, não merecem atenção nenhuma do planalto, como mostra esta reportagem da Folha de S.Paulo

No último ano, o gabinete do presidente da FUNAI, Marcelo Augusto Xavier da Silva, negou por três vezes a nomeação de um servidor efetivo para fiscalizar, monitorar e ajudar no desenvolvimento da Terra Indígena no Vale do Javari, no Amazonas. O pedido para a nomeação, escreve o repórter Vinicius Sassine, foi feito pela coordenação da FUNAI na região – a unidade do órgão fica em Atalaia do Norte (AM), a cidade mais próxima da Terra Indígena do Javari.

O contexto que cerca a violência no Javari, e especificamente as mortes de Bruno e Dom, tem a assinatura da necropolítica que marca o atual governo, segundo posicionamento do Observatório do Clima, repercutido pelo Metrópole. Várias outras organizações da sociedade civil e políticos brasileiros e estrangeiros também repercutiram com tristeza e indignação a confirmação de que mais dois amigos da floresta estavam mortos, assim como ocorreu com vários outros nomes importantes para os Povos da região nas últimas décadas.

Reportagem do Valor reuniu vários desses posicionamentos. Para todos os que se manifestaram, está claro que em algumas regiões da Amazônia o crime organizado, muito por conta da omissão até certo ponto proposital do governo federal, é quem manda de forma efetiva. A eurodeputada alemã Anna Cavazzini, vice-presidente da delegação do Parlamento Europeu para o Brasil, disse em nota repercutida pela jornalista Daniela Chiaretti, que os assassinatos de Bruno Pereira e Dom Phillips são “também uma consequência da difamação dos ativistas dos Direitos Humanos e ambientais pelo presidente Bolsonaro e do desmantelamento da legislação ambiental e de direitos humanos”.

Alguns representantes do setor privado se manifestaram sobre o desfecho trágico nas buscas por Bruno e Dom no interior da floresta, região que eles tanto gostavam. Nas redes sociais, empresas como a Natura fizeram também suas homenagens:

“Nossas vidas dependem de uma floresta. Uma floresta que ajuda o mundo a respirar. Muitas vidas precisam da floresta. Vidas de povos que sempre estiveram por lá. E daqueles que vivem essa floresta todos os dias. Bravos foram os que perderam a vida lutando pela vida da floresta. E, a eles, não devemos apenas uma homenagem. Devemos o compromisso de manter a Amazônia Viva”, diz o texto que acompanha um filme tocante com vistas áreas da Amazônia.


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