A água está menos disponível na bacia do Araguaia-Tocantins

Estudo analisou registros históricos de 27 estações de medições até 2019

Uma análise científica mostra que as vazões dos rios da bacia do Araguaia-Tocantins estão diminuindo gradativamente, conforme a versão online da newsletter Crise Climática, do UOL. Isso impacta diretamente os projetos de infraestrutura projetados, ou em vias de, para a bacia do Araguaia-Tocantins.

Os pesquisadores avaliaram registros históricos de 27 estações de medição até 2019. As vazões estão abaixo da média em 19 delas, o que coloca em xeque obras de irrigação, hidrelétricas e hidrovias pensadas para a região, como escreve a repórter Cínthia Leone.

O modelo da análise considera, ainda, alterações sazonais sobre a bacia, o que pode significar que alguns projetos estão trabalhando com vazões incompatíveis com a realidade. “Uma das premissas para fazer irrigação e hidrelétricas nessa região tem sido a de que o regime da bacia é estacionário, ou seja, que a vazão é constante. Como isso não é verdade, a sustentabilidade econômica desses investimentos é questionável”, explicou ao UOL o biólogo Dilermando Pereira Lima Junior, professor da Universidade Federal do Mato Grosso e um dos autores da pesquisa.

Os próximos passos do estudo envolvem questões locais e globais. Os pesquisadores querem entender até que ponto as mudanças detectadas estão sendo causadas pela mudança do uso da terra, um processo mais local, e pelo novo padrão climático. As duas coisas são importantes, avaliam os cientistas, mas falta saber a proporção entre elas.


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