Dados do Imazon reforçam abril trágico na Amazônia

Índice de desmatamento para o mês é pior em 15 anos

Mesmo durante a estação chuvosa, o chamado inverno amazônico, a destruição florestal não teve trégua. Os dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) detectaram uma perda de 1.197 km² durante o mês de abril, 54% a mais do que o registrado no mesmo mês de 2021. Com isso, a região teve o pior abril dos últimos 15 anos, desde que o instituto iniciou o monitoramento por satélites, em 2008.

O sinal de alerta está mais do que ligado, segundo os especialistas do Imazon. Não é comum os índices de destruição da floresta serem altos no começo do ano. As chuvas na região dificultam bastante a logística dos desmatadores. Em maio, quando começa a época seca, é que os números começam a subir.

A ferramenta PrevisIA, plataforma de inteligência artificial feita a partir de dados gerados pelo Imazon, estimou um desmatamento total na Amazônia de 15 mil km2 para o atual “calendário do desmatamento”, que vai de agosto de 2021 a julho de 2022. Se confirmado, será o pior índice desde 2006.

“Esperamos que a PrevisIA erre, pois queremos que seus dados possam ajudar a orientar ações efetivas para evitar desmatamentos. Porém, infelizmente, estamos vendo a previsão se tornar realidade”, lamenta Carlos Souza Jr., pesquisador do Imazon.

A plataforma de inteligência artificial vem mostrando assertividade ao indicar as áreas sob maior risco de desmatamento na Amazônia. De toda a área de floresta derrubada nos últimos nove meses, 75% estava em um raio de até 4 km do ponto estimado pela ferramenta. “A plataforma pode auxiliar muito para evitar a derrubada da floresta e ainda gerar economia de recursos e de tempo para os órgãos públicos que têm como missão proteger a Amazônia, pois indica assertivamente para onde direcionar os esforços de prevenção”, afirma Souza Jr.


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