O líder da corrida pelo ouro

Repórter Brasil desvenda os negócios do empresário Paulo Carlos de Brito Filho na Amazônia

O grupo Santa Elina administra oito empresas que, juntas, ocupam o primeiro lugar na corrida pela mineração em Terras Indígenas. São 8% dos aproximadamente 3.100 pedidos de lavras e pesquisas minerais em áreas sobrepostas a territórios indígenas, ou na fronteira deles, segundo a Agência Nacional de Mineração (ANM).

À frente do grupo, como detalha a agência Repórter Brasil, está o empresário Paulo Carlos de Brito Filho, que há décadas atua no ramo da mineração. O caçador de jazidas, como mostra a reportagem, não se dedica à exploração do ouro. Sua missão principal é achar locais onde a exploração de ouro seja rentável para, depois, revendê-los para as grandes empresas do setor. Isso ajuda a entender a proliferação de pedidos de mineração.

Apesar de declarar oficialmente uma posição contrária ao garimpo ilegal em Terras Indígenas, entre 1982 e 2012, o conglomerado fez 255 pedidos de pesquisa mineral que afetam 42 Terras Indígenas. Mais de 95% desses pedidos são para pesquisa de ouro na região amazônica. Desses 255 pedidos, o grupo Santa Elina desistiu ou renunciou a 126, sobretudo a partir de 2019, de acordo com a ANM. Ainda assim, o grupo segue na liderança em número de requerimentos que afetam TIs no país, com 129 processos, que totalizam uma área de 346 mil hectares – mais que duas vezes a cidade de São Paulo. Ocorre que apesar de a mineração em TIs não ser autorizada por lei, o sistema da ANM mantém tais processos como “ativos”, mesmo quando há desistência por parte da empresa. Isso significa que empresas com processos em andamento terão a prioridade dos direitos minerários da região, caso a mineração em TIs seja regulamentada.

A reportagem também ouviu Bruno Manzolli, da Universidade Federal de Minas Gerais – um dos autores do estudo que identificou que o garimpo ilegal de ouro causou um prejuízo socioambiental de R$ 31,4 bilhões para o país entre 2019 e 2020.


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