Na contramão da história

O fato de os meses de janeiro e fevereiro terem registrado altos índices de desmatamento é grave. Meses chuvosos normalmente têm pouca destruição

Os especialistas em Amazônia ouvidos pelo g1 classificam os recordes de desmatamento amazônico de janeiro e fevereiro como alarmantes. Na prática, para quem conhece com detalhes o enredo da destruição da floresta, os inícios de ano não são acompanhados de notícias tão ruins. Entre outros motivos, por causa das chuvas. E não é que este ano elas não estejam presentes.

Além do legado do governo Bolsonaro, de ter criado uma espécie de cultura a favor da destruição na região da Amazônia, por causa, inclusive, da redução da fiscalização, existe outro ponto importante, avaliam os especialistas. Existe uma espécie de senso de oportunidade no ar. O temor de quem destrói é que uma eventual saída do atual do governo do Palácio do Planalto em dezembro mude a política de Brasília para a região.“Época de eleição eles vão com tudo: é assim, deixa eu desmatar tudo o que posso, com a esperança que o PL da Grilagem passe e que, talvez, assim, sejam premiados em seguida com o título da terra”, explicou Ana Toni, diretora-executiva do Instituto Clima e Sociedade ao g1. A partir das altas taxas registradas no início do ano (os 199 km2 de fevereiro colocam o mês com o pior índice em 15 anos), a expectativa de quem estuda a Amazônia é que o governo dificilmente vai conseguir cumprir a promessa assumida em Glasgow, durante a COP26, de zerar o desmatamento ilegal até 2028. A preocupação com o número que deve aparecer em dezembro é muito grande.


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