Indígenas recorrem aos drones e ao GPS para proteger a floresta

Tecnologia de ponta é usada no Acre em áreas com alto risco de serem desmatadas

Uma análise desenvolvida pelo Instituto Imazon, especialmente para o site Mongabay, é um alerta claro para várias comunidades do interior do Acre. O estado tem 878 quilômetros quadrados de terras com risco alto ou muito alto de desmatamento. O desmatamento na região aumentou significativamente nos últimos anos, elevando o Acre ao grupo dos cinco estados com maiores riscos de perda vegetal, como aponta a reportagem. Em setembro de 2021, de acordo com monitoramento do Imazon, o Acre foi responsável por 10% do desmatamento identificado em toda a Amazônia Brasileira. A principal pressão na região se dá pela expansão agrícola.

O uso da ferramenta de inteligência artificial PrevisIA – desenvolvida pela Microsoft, em parceria com o Imazon – mostra que, dentro das áreas sob ameaça, existem 20 Unidades de Conservação e 29 Territórios Indígenas. Os riscos estão espalhados por todos os 22 municípios do estado, mas a área mais pressionada é a localizada na divisa com o estado do Amazonas.

Na Terra Indígena Katukina/Kaxinawá, no município de Feijó, onde as imagens de satélite mostram grande probabilidade de aumento do desmatamento, está sendo utilizada tecnologia de ponta para monitoramento da floresta. Além do uso de drones e GPS, representantes dos povos indígenas estão sendo capacitados como agentes agroflorestais e recebem treinamento para monitorar seus territórios, usando a tecnologia, e para fazer frente aos invasores.

O monitoramento envolve o diálogo com fazendeiros que atuam perto da divisa das Terras Indígenas. “Quando podemos explicar às pessoas que nossa terra é protegida, elas entendem. Muitos ficam contrariados, dizendo que nossa terra é grande demais. Mas essa é a nossa terra, e eles precisam deixá-la em paz, não podem invadir com gado”, diz Siã Shanenawa, um dos agentes agroflorestais que atuam na região.


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