“Brasil não controla o desmatamento porque não quer”, afirma João Paulo Capobianco em entrevista

Depois de explicar como foi o processo que derrubou o desmatamento da Amazônia na entre 2005 e 2012 e de como surgiu o Fundo Amazônia, o ex-secretário executivo do MMA, João Paulo Capobianco, voltou seu foco para o momento atual. Segundo ele, em entrevista ao Valor, a destruição em alta da Amazônia é uma opção política do atual mandatário do país.

“O Brasil não controla o desmatamento hoje porque não quer”. Segundo Capobianco, que trabalhou de forma assídua para controlar o desmate florestal ao lado da ministra Marina Silva, na gestão Lula, os índices vão cair a partir do momento que o assunto virar prioridade para o governo. “O Brasil tem uma janela objetiva de oportunidades para o desmatamento zero. Do ponto de vista técnico, é possível. Tem o INPE, o IBAMA, o ICMBIO, o setor privado ativo e querendo atuar nesta agenda.”

O ambientalista também defende a tese de que a forma como os mercados de carbono estão sendo vendidos, principalmente aos produtores brasileiros, pode induzir a um erro importante. Os créditos de carbono, que podem sim gerar muitos recursos para o Brasil nos próximos anos, precisam ser vistos como algo temporário rumo a um mundo carbono zero, segundo Capobianco. “Se o movimento é para reduzir emissões e se tornar carbono zero, não vou ter crédito. Existe uma janela de oportunidade para países como o Brasil que de fato têm potencial para se beneficiar de créditos de carbono, só que acredito que este seja um recurso transitório.”


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