Resultados terríveis

Eurodeputada portuguesa afirma que ainda é necessário entender se discurso do governo Bolsonaro “é de fato credível”

Apesar de avaliar como positivo o plano apresentado pelo ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, na COP26, a eurodeputada portuguesa Lídia Pereira, em entrevista à Folha, afirma que ainda é preciso entender se o que o governo fala, de fato, será respaldado por ações concretas. Segundo a economista do Partido do Povo Europeu, grupo político conservador mais numeroso do Parlamento Europeu, “o governo brasileiro proclama a direção correta, mas os resultados são terríveis”.

Ao comentar o discurso feito por Leite em Glasgow, na COP26, onde a política formada na Universidade de Coimbra também esteve, Lídia salientou que o futuro não pode ser separado do presente. “O discurso do ministro foi muito focado no futuro. Mas o futuro não pode ser o caixote do lixo do presente, o sítio para onde atiramos o que não queremos fazer hoje. A mancha verde da Amazônia não está a ser gerida, está a ser destruída. O Brasil está a queimar e a desmatar o seu maior patrimônio, pelo que só posso apelar a toda a sociedade brasileira para fazer também na Amazônia uma transição de modelo econômico.”

As ações do governo brasileiro no plano ambiental e na preservação da Amazônia são vistas como fundamentais na Europa, para que entre em vigor o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, ainda em discussão pelos governos nacionais no continente europeu. Mas os dados recentes de aumento no desmatamento da Amazônia em 22% em 12 meses, admite Lídia, a deixaram “decepcionada” e “revoltada”.Em um front diferente do eventual acordo com o Mercosul, a União Europeia discute nova lei que impossibilitaria, se aprovada, a importação de produtos associados ao desmatamento. Assis Moreira informou no Valor que alguns membros do Parlamento Europeu querem restringir ainda mais estas novas regras de acesso ao mercado continental para commodities agrícolas associadas ao desmatamento. Pela proposta original da Comissão Europeia, o único foco no caso brasileiro seria a Amazônia; no entanto, os deputados querem incluir Pantanal e Cerrado na exigência de desmatamento zero para produtos agrícolas brasileiros vendidos na Europa.


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