Mudanças climáticas levam o agronegócio a buscar novas áreas de plantio

Consultoria afirma que produtores e investidores começam a avaliar necessidade de mudar local de culturas

Os impactos das mudanças climáticas, como secas prolongadas, geadas e chuvas extremas fora de hora, podem mudar o mapa do agronegócio no Brasil. Produtores e investidores começam a avaliar a necessidade de mudar o local de algumas culturas. “As mudanças climáticas estão entrando na modelagem de negócio das empresas e dos investidores e muitos já estão repensando investimentos que seriam feitos levando em conta as condições normais do clima”, afirmou Alexandre Rangel, líder do Centro de Excelência do Agronegócio da EY, à Bloomberg.

Além de procurar novas opções de local para a plantação, os agricultores também precisam fazer pesquisas sobre variedades de mudas e sementes mais adaptadas. As consultas têm crescido bastante nos últimos 12 meses, informa Rangel, e elas têm levado em conta outros fatores além dos logísticos, mercadológicos e de infraestrutura.

Segundo o último levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a colheita de milho será de 85,75 milhões de toneladas, 16% inferior à do ano passado, enquanto em abril o órgão estimava a produção de 109 milhões de toneladas. As secas prolongadas, geadas e, em alguns casos, o excesso de chuva em época não adequada, atrapalharam a produção. As culturas de café e laranja também podem ter sido afetadas. Quanto à cana, a expectativa é de que haja uma queda de 10% na produção.

Em tempo: Para o biólogo, articulista e consultor em políticas socioambientais, André Aroeira, o plano das lideranças do agronegócio “é expandir a área para mitigar as crescentes perdas (agravando o problema climático) e fazendo seguros em massa parcialmente financiados pelo contribuinte.” No Twitter, Aroeira afirma que o problema climático é também culpa das próprias lideranças do agronegócio: déficit de florestas, ausência absoluta de regras no zoneamento do solo e péssima gestão da água. “Não adianta culpar o colapso planetário do clima”, diz ele.


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