A “Ferrogrão”, ferrovia de 1 mil km, desperta temores na Amazônia

Ministro chama a Ferrogrão de verde e diz que ela será construída apesar dos muitos protestos

A Ferrogrão será construída, anunciou ontem o ministro da Infraestrutura do Brasil, Tarcísio de Freitas, durante evento em Sinop, no Mato Grosso, cidade do boom agrícola e onde a ferrovia teria início. Centenas de espectadores, na maioria homens, aplaudiram. Para os membros da elite do agronegócio brasileiro, muitos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, a “Ferrogrão” é um sonho antigo. A ferrovia, de quase 1 mil quilômetros, transportará a soja do norte do Mato Grosso ao porto de Miritituba e, de lá, até Belém, para que os grãos cheguem ao leste da Ásia.

Mas, enquanto os ruralistas louvam a iniciativa, o projeto de R$ 25,2 bilhões traz pesadelos a outros, principalmente aos povos indígenas. Seria mais um prego no caixão da maior floresta tropical do mundo, escreve Tom Phillips no The Guardian. Para Alessandra Korap, representante do Povo Munduruku, cujas terras ancestrais ficam perto da última parada da “Ferrogrão”, em Miritituba, às margens do rio Tapajós, trata-se de um ataque mais amplo à Amazônia e a seus habitantes originais, um ataque que ficou cada vez mais forte desde a eleição de Bolsonaro em 2018. A maioria dos representantes indígenas é da mesma opinião.

Para o ministro da Infraestrutura, a “Ferrogrão” é uma peça fundamental para o Brasil. “Esta será uma ferrovia verde”, disse Freitas, garantindo que ela não penetrará em terras indígenas e os danos ambientais seriam mínimos. Para recordar, o traçado original cortava o Parque Nacional do Jamanxim e, durante o governo Temer, o Parque foi dividido em dois para a ferrovia passar no meio, “sem interferir em áreas protegidas”.

No início deste ano, sua construção foi suspensa temporariamente por um juiz da Suprema Corte, que temia mais desmatamentos.


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