Desmatamento e queimadas elevam risco de desertificação da Caatinga

Estudo aponta bioma como mais eficiente do que outras regiões em absorver CO2

A Caatinga, único bioma que existe somente no Brasil, corre risco de se transformar em deserto. Presente em todo o Nordeste e em parte de Minas Gerais, perdeu 15 milhões de hectares – ou 26,36% de sua vegetação primária – entre 1985 e 2020. Houve um aumento, no mesmo período, de 10,7 milhões de hectares de vegetação secundária. Mas o saldo continua negativo. Os dados, obtidos por imagens de satélite e analisados pelo MapBiomas, mostram que 112 municípios da Caatinga classificados como Áreas Suscetíveis à Desertificação (ASD) e com status “Grave” e “Muito Grave” perderam 0,3 milhões de hectares, ou 3% de vegetação nativa.

O bioma também está ficando mais seco. A superfície de água reduziu-se em 8,27% e os cursos d’água da região tiveram decréscimo de 40%. E as queimadas também castigam a Caatinga, principalmente na fronteira agrícola entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, o chamado MATOPIBA.

Segundo Washington Rocha, coordenador da equipe de Caatinga do MapBiomas, o processo de desertificação da Caatinga é praticamente invisível. Ele explica que os efeitos se revelam apenas nas fases mais avançadas, quando qualquer medida de controle não é mais possível. Em estudo publicado na Scientific Reports, Bergson Bezerra, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, afirma que a vegetação preservada da Caatinga é mais eficiente em absorver CO2 da atmosfera do que florestas como a amazônica. A revista Veja deu detalhes da pesquisa.


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