IBAMA libera a construção do Linhão de Tucuruí sem ouvir populações indígenas

Obra que conecta Manaus a Boa Vista atravessa terra indígena Waimiri Atroari com cabos e torres

O IBAMA liberou a construção da linha de energia que ligará Manaus, no Amazonas, a Boa Vista, em Roraima. Segundo apurou o Estado de S. Paulo, o IBAMA deu o “ok” para as obras depois de receber sinal verde da FUNAI a respeito dos impactos do empreendimento sobre os povos indígenas. A Transnorte Energia, da estatal Eletronorte e da empresa privada Alupar, terão 36 meses para concluir a obra, que deverá ter início no primeiro semestre de 2024.

Trata-se de um dos projetos de infraestrutura mais polêmicos do país. A linha de transmissão de 720 quilômetros, conhecida como “Linhão de Tucuruí” ficou engavetada no Ministério das Minas e Energia por uma década por causa do impacto à terra indígena Waimiri Atroari, onde vivem 2.300 pessoas. O povo Kinja protestou contra 250 torres e 122 de quilômetros de cabos de aço atravessando suas terras, sem que eles tenham sido esclarecidos sobre os impactos e consultados previamente, como é seu direito constitucional e como determina a Convenção 169 da OIT.

A FUNAI esteve ao lado dos povos indígenas na avaliação do projeto, mas seu posicionamento mudou de lado na atual gestão. O presidente Bolsonaro e o ministro das Minas e Energia, Bento Albuquerque, tinham prometido que a obra seria liberada em 2019.


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