Cerrado e Pantanal ficam de fora de projeto da União Europeia para frear desmatamento por regulamentação do mercado

O projeto de lei da União Europeia que prevê evitar o desmatamento e o consumo de produtos de áreas com alto risco de degradação ambiental em florestas “esquece” áreas como o Pantanal e o Cerrado

Imagine que você vai fazer o seguro dos seus bens e esquece de incluir jóias, celulares, aparelhos eletroeletrônicos e obras de arte? É mais ou menos o que está acontecendo com o projeto de lei da União Europeia, que prevê evitar o desmatamento e o consumo de produtos oriundos de áreas com alto risco de degradação ambiental em florestas, mas “esquece” de incluir áreas como o Pantanal e o Cerrado – só este último ocupa 24% do território brasileiro e reúne 5% da biodiversidade do planeta. O esboço do projeto acabou “vazando” para ambientalistas, e foi parar nas páginas do Guardian, sob duras críticas. No documento de 182 páginas, a ausência de menção aos dois biomas e a outras áreas de pastagens e terras úmidas foi considerada uma “omissão significativa”, segundo o jornal britânico.

De acordo com ativistas ouvidos pelo Guardian, a Comissão Europeia corre sério risco de errar em seu projeto que prevê “salvar a biodiversidade” e “evitar a derrubada de 71,9 hectares de florestas a cada ano até 2030” a partir da classificação de riscos e sanções econômicas a regiões de produção de commodities envolvidas com possível desmatamento. O projeto de regulamentação, que deverá ser lançado até o final do ano, se limita ao controle de importações, por parte da União Europeia, de carne bovina, óleo de palma, soja, madeira, cacau e café. Países que vendem essas commodities à Europa seriam classificados como sendo de alto risco, risco padrão e baixo risco. Entre eles estão Brasil, Rússia e Estados Unidos.

Os ativistas criticaram a exclusão, na lista, de produtos como borracha, couro, milho e carnes de frangos e porcos – uma vez que tais produtos podem incorporar o chamado “desmatamento embutido”. No caso de produtos de origem animal, por exemplo, a soja utilizada para a produção de ração também deveria entrar na conta, defendem, uma vez que também pressionam para o desmatamento.

Em tempo:

É bom lembrar que, entre os consumidores europeus, cresce a conscientização ambiental. Será que eles iriam aos supermercados tão tranquilamente se soubessem dos riscos de se consumir produtos oriundos do Cerrado, a maior savana da América do Sul e lar de 10 mil espécies de plantas, e do Pantanal, um dos maiores pântanos de água doce do mundo?

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