Congresso Mundial da Natureza aprova moção que demanda a proteção de 80% da Amazônia a partir de 2025

Para a IUCN, a proposta na França busca evitar a perda de diversidade, o desmatamento e os efeitos climáticos destes processos

 O congresso da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN) aprovou na semana passada em Marselha, na França, uma moção que pede a proteção legal de 80% da bacia amazônica a partir de 2025, como maneira para evitar a perda de biodiversidade, o desmatamento e os efeitos desses processos sobre o clima. A proposta foi encabeçada por grupos indígenas, que destacaram o papel de suas terras na preservação da Amazônia. O texto lembra que a floresta perdeu ao menos 2,3 milhões de hectares em 2020 por conta do desmatamento, valor 17% superior ao registrado no ano anterior, mesmo com a pandemia.

A moção, transformada em resolução após sua aprovação, não implica em obrigação jurídica, mas representa uma sinalização importante da comunidade internacional aos países amazônicos: a destruição da floresta não pode mais continuar. Climate Home, Reuters e RFI destacaram a notícia.

Em tempo 1: Um estudo divulgado pela Botanic Gardens Conservation International (BGCI) no começo de setembro mostrou que pelo menos 1/3 de todas as espécies de árvores selvagens do mundo corre risco de extinção. Ao todo, mais de 17,5 mil espécies estão ameaçadas pelo avanço do desmatamento e da crise climática. O Brasil ocupa a 2a colocação no ranking de países com mais espécies ameaçadas (1.788), atrás apenas de Madagascar (1.842). Juntos, os dois países representam mais de 40% do total de espécies sob ameaça em todo o mundo. BBC, Guardian, O Globo e Reuters repercutiram esses dados.

Em tempo 2:  Uma nova espécie de primata foi descoberta na Floresta Amazônica do Mato Grosso. Após seis anos de pesquisa, a descoberta foi formalizada com artigo na Scientific Reports. O estudo sobre o Sagui-de-Schneider (Mico schneideri) foi liderado pelo biólogo Rodrigo Costa Araújo. Ainda não se sabe qual o tamanho da população do novo mico, mas não há registro da espécie em outras áreas da Amazônia, além do interflúvio entre os rios Teles Pires e o Juruena. A espécie havia sido identificada erroneamente como Mico emiliae.

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